Venezuela pede que ONU seja defendida de poderes que ameaçam com a guerra

Foto:@vencancilleria

Caracas, 26 Sep. AVN.- O chanceler da República, Jorge Arreaza, fez um chamado ante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para defender a organização dos poderes que ameaçam impor a guerra e a dor, através de medidas unilaterais e coercitivas em povos que lutam contra a hegemonia capitalista.

"Esta casa, a do multilateralismo e o respeito à igualdade dos povos e dos Estados, tem sido profanada, desrespeitada e ofendida por poderes arrogantes que pretendem impor suas regras de jogo unilaterais, da guerra, do sofrimento e da dor", disse o chanceler venezuelano em seu discurso no 72º período de sessões.

"A Organização das Nações Unidas é uma tribuna quase sagrada para os povos que apostam na paz e no entendimento", destacou em Nova York, onde afirmou que a ONU é utilizada para forçar mudanças de governo em países soberanos.

Arreaza denunciou que estas manobras são evidentes no discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no organismo no dia 20 de setembro, quando violou os princípios do organismo multilateral ao promover a guerra e destruição.

"Um alarde de descaro e hipocresia política de Donald Trump, que fundamentou seus ataques à humanidade sobre os valores da paz e da prosperidade", disse.

As medidas coercitivas unilaterais da administração Trump têm sido aplicadas contra a Venezuela, Irã e Síria, entre outros países não obedientes a Washington. Arreaza destacou que os 120 integrantes do Movimento de Países Não Alinhados (Mnoal) aprovaram um documento contra as medidas tomadas contra o povo venezuelano.

Ele ressaltou que o magnata norte-americano ameaçou os venezuelanos com o uso da força militar mais poderosa do mundo e que as sanções econômicas ilegais impostas contra o país têm o objetivo de "forçar mudanças não democráticas no sistema de governo da Venezuela".

O chanceler recordou que em 2006 o presidente Hugo Chávez advertiu nas Nações Unidas sobre a necessária contenção das ameaças à paz mundial, em relação à atuação do então presidente dos EUA, George W. Bush.

Os EUA não merecem estar no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Arreaza afirmou que o governo estadunidense não merece estar no Conselho de Direitos Humanos da ONU porque não ratificou 72% dos acordos internacionais no tema, o que o torna o principal violador da norma, "não só no seu próprio país, mas no mundo", denunciou.

Ele recordou que os EUA são o único país do planeta que se atreveu a utilizar armas nucleares contra outros povos.

"A Venezuela se opõe de forma contundente às armas nucleares. Por isso assinamos o tratado de não proliferação", afirmou.

O chanceler da Venezuela enumerou alguns indicadores negativos que mostram a precariedade na assistência médica dos pobres nos EUA, a falta de independência dos poderes públicos, as cadeias perpétuas a menores de idade (principalmente afroamericanos) e o impulso à segregação racial, durante o governo de Donald Trump.

Também considerou hostil que o país mais contaminador do mundo, os Estados Unidos, se retire do acordo de Paris. Disse que a Venezuela adere à premissa dos movimentos ambientalistas do mundo "não mudemos o clima, mudemos o sistema".

Arreaza rejeitou ainda as guerras induzidas, sangrentas, e pré-fabricadas, como as da Síria e Líbia. E enfatizou a necessidade de reconhecer o Estado da Palestina e suas fronteiras de 1967.

Também se referiu ao tema da migração europeia e os altos indicadores de mortes por deslocamentos forçados. "Vemos com dor como o mar Mediterrâneo se transformou em um cemitério", disse.

Ele parabenizou o acordo de paz entre as Farc e o governo colombiano e destacou que o país caribenho seguirá apoiando o processo agora com o Exército de Liberação Nacional.

Arreaza enviou palavras de condolências e reiterou o apoio material da Venezuela aos países que sofreram a fúria dos fenômenos naturais recentes. E denunciou que os países pequenos estão pondo os mortos em uma guerra que os países desenvolvidos e o sistema capitalista contra a mãe terra.

O chanceler venezuelano ratificou que a Venezuela defende a construção de um novo mundo multicêntrico e multipolar para promover a paz entre os povos com base a uma política de respeito à soberania.

26/09/2017 - 11:35 am