Venezuela repudia declarações ingerencistas do presidente dos EUA

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Caracas, 19 May. AVN.- O governo da República Bolivariana da Venezuela rechaçou de forma categórica nesta sexta-feira as declarações ingerencistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o país, realizadas durante uma reunião com o chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos.

"Resulta surpreendente que o presidente Trump se diz preocupado pela Venezuela ao lado do presidente do país que é o principal produtor de drogas do mundo, que ostenta as maiores valas comuns do continente, que conta com nove mil e quinhentos presos políticos e sessenta mil e seiscentas e trinta pessoas desparecidas nos últimos 45 anos; (... ) onde 42% dos lares rurais vivem em condições de insegurança alimentar, onde os paramilitares e o tráfico de drogas controlam a vida política, econômica e social do país, e onde além disso, os Estados Unidos têm sete bases militares que ameaçam a paz regional", afirma comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Veja abaixo o comunicado na íntegra:

REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA
MINISTÉRIO DO PODER POPULAR
PARA RELAÇÕES EXTERIORES

COMUNICADO

A República Bolivariana da Venezuela rechaça de forma categórica as declarações do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte (EUA), Donald Trump, no dia 18 de maio de 2017, no âmbito de seu encontro bilateral com o Presidente da República da Colômbia, Juan Manuel Santos, na cidade de Washington.

As agressões do presidente Trump contra o povo venezuelano, seu governo e suas instituições superaram todos os limites. Em tão só quatro meses de governo se reuniu com três Presidentes da Região, e chamou ao menos outros quatro, para estimular a ingerência grosseira desses governos através da OEA, e de seu abjeto Secretário-Geral, a fim desestabilizar o país, alterar a paz e intervir e tutelar a Venezuela.

São um absurdo da antologia as expressões proferidas pelo presidente dos Estados Unidos da América do Norte, sendo que em seu país os direitos humanos são violados de forma horrível, sistemática e em massa; seu modelo de expansão financeira especulativa originou a maior desigualdade no mundo; seu complexo industrial militar e midiático tem sido a causa da violência letal contra a humanidade; a promulgação de medidas coercitivas unilaterais com implicações extraterritoriais obstacularizaram o pleno desenvolvimento social e econômico dos povos; ostenta o recorde de ter lançado o único ataque nuclear na história do mundo; e protagonizou mais de uma centena de invasões a nações soberanas, em descarado desconhecimento do Direito Internacional e o sagrado princípio da igualdade entre as nações.

As posições extremas de um governo que recém começa apenas confirmam a natureza discriminatória, racista, xenofóbica e genocida que tem caracterizado as elites do governo estadunidense contra a humanidade e contra seu próprio povo, maximizadas agora pela nova Administração que reivindica a supremacia branca anglo-saxônica sobre o resto dos povos e culturas do planeta.

É realmente uma desgraça que se pratique a supremacia branca através da "articulação de uma filosofia que ajuda e consola os racistas", em palavras de Martin Luther King, com a qual se desconhecem não somente os direitos do povo estadunidense mas também as lutas pelos direitos civis nesse país.

Resulta surpreendente que o presidente Trump se diz preocupado pela Venezuela ao lado do presidente do país que é o principal produtor de drogas do mundo, que ostenta as maiores valas comuns do continente, que conta com nove mil e quinhentos presos políticos e sessenta mil e seiscentas e trinta pessoas desparecidas nos últimos 45 anos; onde segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), uma de casa três crianças vive em condições de pobreza multidimensional, onde 80% das crianças não têm acesso à educação inicial, onde a metade dos trabalhadores está no setor informal, onde 42% dos lares rurais vivem em condições de insegurança alimentar, onde os paramilitares e o tráfico de drogas controlam a vida política, econômica e social do país, e onde além disso, os Estados Unidos têm sete bases militares que ameaçam a paz regional.

Para a Venezuela é desconcertante, além disso, lamentável e humilhante o tom utilizado pelo presidente Trump contra o presidente Santos em vários momentos da entrevista.

Como se fosse pouco, é pasmoso que o presidente Trump pretenda atender a situação na Venezuela recorrendo aos governos de países como o Brasil, afundado na mais bárbara crise moral e institucional do planeta, Argentina cujo presidente aparece na lista dos primeiros líderes mundiais por corrupção, Peru cuja crise social e de direitos humanos é vergonhosa, e México, transformado em um Estado Falido a mercê da violência, desigualdade e o narcotráfico.

A República Bolivariana da Venezuela lamenta que o presidente Trump tenha se deixado impor a política ingerencista e agressiva que sustentaram seus subalternos do Departamento de Estado para a Venezuela, que custou muitos sofrimentos ao povo venezuelano.

É lamentável, assim mesmo, que o presidente Trump em sua declaração tenha confessado que suas opiniões estão baseadas em conteúdos contra a Venezuela divulgados pelas mesmas corporações midiáticas cujas campanhas de notícias falsas ele sofreu na própria carne.

O Governo Bolivariano exige que o governo dos EUA cesse de imediato o financiamento ilegal através de suas agências a fatores extremistas da oposição venezuelana, que abandonaram o caminho da política para adotar a violência, que incluem formas de terrorismo, como via de pressão para derrubar um Governo legitimamente eleito, por mecanismos alheios aos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

Nenhum dos atos ilegais causados por estes fatores pró-estadunidenses na Venezuela seriam tolerados dentro do território dos EUA, onde com certeza seriam julgados de forma ferrenha com sua legislação antiterrorista.

A República Bolivariana da Venezuela, na defesa de sua soberania, obedecendo os mandatos de seu povo e a tradição de seus Libertadores, repudia as declarações do presidente Trump, e lamenta que o mandatário tenha tomado o caminho já fracassado da era Bush e Obama, este último que assinou e ratificou a insólita Ordem Executiva que qualifica a Venezuela como uma ameaça, servindo a mesa ao extremismo estadunidense para agredir nossa Pátria.

Parece cumprir-se a profecia de Bolívar: "Os EUA parecem destinados pela Providência a encher a América de fome e misérias em nome da Liberdade".

Mas a Venezuela resiste e vencerá!

Caracas, 19 de maio de 2017

19/05/2017 - 05:46 pm